Justino, filho de Prisco, nasceu em 103, na Palestina, na cidade de Siquém. Nascido nas trevas do paganismo, cursou as escolas filosóficas da sua terra e dedicou-se especialmente ao estudo do pensamento de Platão.
Um dia conheceu um ancião e conversaram longamente sobre a filosofia: o velho mostrou a Justino que os antigos filósofos não tinham uma ideia clara de Deus e da alma humana e por isso não podiam servir de guias no caminho da verdade. Justino, ávido de conhecer a verdade, pediu que lhe indicasse o meio pelo qual pudesse chegar ao conhecimento da mesma. O ancião respondeu-lhe: «Muito antes dos filósofos, existiram no mundo homens, amigos de Deus e ilustrados pelo Espírito divino. São os profetas. Os livros que deles possuímos, contêm doutrinas sobre a origem e fim de todos os seres. Ensinam a fé em um Deus Uno e Trino, Criador do céu e da terra, que mandou o Filho Unigénito para salvar o género humano".
Justino, muito impressionado com o que tinha ouvido, e ao mesmo tempo ávido de conhecer a verdade, leu os livros dos profetas. Esta leitura conduziu-o ao conhecimento de Jesus Cristo e ao observar a grande virtude e constância dos cristãos Justino fez-se cristão. Depois dirigiu-se para Roma e envidou todos os esforços na propaganda da fé entre os pagãos e na defesa da mesma contra os inimigos desfazendo os graves preconceitos que existiam contra os cristãos.
Das suas obras chegaram até nós duas
apologias e um
diálogo. Os seus escritos oferecem-nos ricas informações sobre ritos e administração dos sacramentos na Igreja primitiva. Foi denunciado por ser cristão e condenado à morte por decapitação juntamente com outros companheiros, durante a perseguição de Marco Aurélio, imperador romano.
Justino é o primeiro «Padre da Igreja», depois dos «Padres Apostólicos»; é o primeiro e o mais antigo de quem possuímos obras extensas, de grande valor apologético.
Fonte: Santos de Cada Dia - Editorial A.O. - Braga
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