Jan 02
PALAVRAS DO SANTO PAPA FRANCISCO (Jo 1,19-28)
O Evangelho fala-nos de João Batista (...) descreve-o como «a voz de quem grita no deserto» (v. 3). O deserto, lugar vazio, onde não se comunica, e a voz, meio para falar, parecem duas imagens contraditórias, mas no Batista elas conjugam-se. O deserto. João prega ali, junto do rio Jordão, perto do ponto onde o seu povo, muitos séculos antes, tinha entrado na terra prometida (cf. Js 3,1-17). Ao fazê-lo, é como se dissesse: para escutar Deus, é preciso voltar ao lugar onde, durante quarenta anos, Ele acompanhou, protegeu e educou o seu povo, no deserto. É o lugar do silêncio e da essencialidade, onde não podemos dar-nos ao luxo de nos determos em coisas inúteis, mas devemos concentrar-nos no que é indispensável para viver. E esta é uma chamada de atenção sempre atual: para prosseguir no caminho da vida é necessário despojar-se daquele “mais”, pois viver bem não significa encher-se de coisas inúteis, mas livrar-se do supérfluo, para ir ao fundo de si mesmo, para captar o que é verdadeiramente importante diante de Deus. Só se, através do silêncio e da oração, dermos espaço a Jesus, que é a Palavra do Pai, é que nos poderemos libertar da poluição das palavras vãs e da tagarelice. O silêncio e a sobriedade - nas palavras, no uso das coisas, dos meios de comunicação social e das redes sociais - não são apenas “sacrifícios” ou virtudes, são elementos essenciais da vida cristã. (Papa Francisco, Angelus de 10 de dezembro de 2023)