Aug 02
PALAVRAS DO SANTO PAPA BENTO XVI (Mt 14,22-36)
Santo Agostinho, imaginando que se dirigia ao apóstolo, comenta: o Senhor «humilhou-se e pegou-te pela mão. Unicamente com as tuas forças, não consegues levantar-te. Segura na mão daquele que desce até ti» (Enarr. in Ps. 95, 7: PL 36, 1233), e diz isto não apenas a Pedro, mas di-lo também a nós. Pedro caminha sobre as águas não pelas suas próprias força, mas pela graça divina, na qual crê, e quando se sente dominado pela dúvida, quando deixa de fixar o olhar em Jesus e tem medo do vento, quando não confia plenamente na palavra do Mestre, quer dizer que, interiormente, se está a afastar dele, e é então que corre o risco de afundar no mar da vida, e é assim também para nós: se olharmos unicamente para nós mesmos, tornamo-nos dependentes dos ventos e já não conseguimos atravessar as tempestades, as águas da vida. O grande pensador Romano Guardini escreve que o Senhor «está sempre próximo, dado que se encontra na raiz do nosso próprio ser. Todavia, temos que experimentar o nosso relacionamento com Deus entre os pólos da distância e da proximidade. Pela proximidade somos fortalecidos, pela distância, postos à prova» (Accettare se stessi, Brescia 1992, pág. 71). (Papa Bento XVI, Angelus de 7 de agosto de 2011)